A distopia -antítese da utopia ou aceitação do mundo tal como é- dá a entender um pouco de nós mesmos, daquilo que está presente na imagem e no sujeito, no que vemos e no que nos olha.
O projeto DISTOPIA DA CIDADE INVISÍVEL, desenvolvido por Leticia SFNunes Lessa*, a partir de uma coleção de registros fotográficos e de áudio captados em Porto Alegre, RS, apresenta esse conceito através de fragmentos do espaço urbano marcados pela melancolia e pelo esquecimento, partindo do arquivo para levantar a reflexão ante o isolamento e as transfigurações das grandes cidades.
Jane Jacobs em Morte e vida de grandes cidades, de 1961, já aborda a miopia, e sugere que sob a aparente desordem da cidade, existe, nos lugares em que ela funciona a contento, uma ordem complexa, que reside no uso das calçadas e na sucessão permanente de olhos que vem com isso. DISTOPIA DA CIDADE INVISÍVEL pretende instigar esses olhos, para que voltem a perceber o espaço urbano.
* Arquiteta e Urbanista graduada pelo UniRitter e Bacharel em Artes Visuais - Fotografia pelo Instituto de Artes da UFRGS, desenvolve pesquisa sobre as questões da cidade e o imaginário urbano.