Se considerarmos que a cidade é depositária de história, como Aldo Rossi, Argan e tantos outros teóricos propuseram, temos nas grandes cidades, no patrimônio em ruínas -nas construções abandonadas, ocupações, prédios vazios ou semi-habitados, na poluição visual, no grafite e no picho- os vestígios do tempo e da relação das coletividades com o lugar e com a ideia dele.
Nesse contexto, a coleção de registros visuais do projeto DISTOPIA DA CIDADE INVISÍVEL compõe um recorte temporal das transfigurações urbanas em Porto Alegre a partir de 2007.
As fotografias apresentam superfícies arquitetônicas como depositárias dos sedimentos temporais da cidade e das manifestações sociais, suporte às inúmeras camadas de informação midiática e ao discurso anti-utópico. E superfícies como cascas, numa corrupção do sentido de abrigo das edificações. Hoje muitas dessas superfícies já desapareceram.